Quantos cursos de Geologia existem no Brasil? E o que isso afeta no seu bolso?

Atualizado: 4 de Dez de 2018

Você sabe quantas universidades de Geologia/Engenharia Geológica existem no Brasil? Eu admito que me surpreendi fazendo a pesquisa para esse artigo, existem mais do que eu pensava.

No total são 36 universidades espalhadas por 17 estados (mais o distrito federal), sendo 33 cursos de geologia e 3 de engenharia geológica.

Todas as regiões do Brasil tem cursos, o sudeste é o mais numeroso com 14 seguido das regiões Norte, Nordeste e Sul com 6 cursos cada uma e por fim a região Centro-Oeste com 4 cursos. O estado que mais tem universidades com geologia/ eng. de minas é Minas Gerais com 5, seguido de Pará, Rio Grande do Sul e São Paulo com 4 em cada.

No mapa abaixo é possivel verificar a localização de cada universidade. O mapa é interativo, dando zoom e clicando no icone abre um quadro com mais informações e o link para o site de cada curso.

Mapa interativo com os cursos de Geologia e Engenharia Geológica. Dando zoom e clicando no martelo pode visualizar as principais informações de cada curso. Dados obtidos de http://emec.mec.gov.br.



Tendo todas essas universidade com cursos na área de geologia me questionei em relação a quando estes cursos foram abertos. Com isso plotei uma curva acumulada da abertura dos cursos. Vemos abaixo no gráfico (os graficos tambem são interativos) que os cursos de geologia tem, basicamente, dois períodos de criação: 1950-1980 e 2005-2015.

A história dos cursos começa em 1957 com 5 cursos iniciais (segundo o MEC: http://emec.mec.gov.br ) e atualmente existem 36 cursos, os dois últimos abertos em 2015 (ano de abertura do ultimo curso de geologia).

No gráfico acima podemos verificar que os cursos foram introduzidos no final da década de 1950 no Brasil com uma taxa de criação praticamente estável até 1978 com uma media de 1,5 cursos novos por ano neste período. Depois tivemos um periodo de 27 anos com praticamente nenhum novo curso criado (com excessão do curso de geologia da Unicamp em 1998). Após esse período, tivemos um novo ciclo de criação de cursos com uma taxa maior que o primeiro, dessa vez com uma média de 1,7 cursos novos por ano.

Me perguntei o que levou a geração desse segundo ciclo de criação de cursos. Por isso resolvi comparar com quatro parâmetros: Índice Bovespa, S&P500 (índice das bolsas dos EUA), preço médio do barril de petróleo (corrigido pela inflação) e preço do minério de ferro, como podemos ver abaixo:





Com os gráficos acima podemos ver que o crescimento de cursos nos anos 2000 parece ter sido impulsionado pela melhora da economia global (Ibovespa e S&P500) e também pelo aumento do valor de commodities como o petróleo e o ferro.

A economia global estava muito bem e com valores de petróleo e minérios elevados isso impulsionou a geração de empregos para geólogos com a expansão e criação de novas empresas. Esse aumento de vagas fomentou o aumento da demanda por profissionais de geologia e com isso o aumento de salários.

Imagino que a maioria dos geólogos e engenheiros de minas formados no Brasil trabalhem na área de mineração exploração de petróleo (operadoras e prestadoras de serviço). Nos gráficos vemos que na metade da década de 2000 há um aumento expressivo dos valores do petróleo e do ferro (assim como de outros minérios), mas na metade da década seguinte esses mesmos valores despencam o barril de petróleo que ficou num patamar acima de 100 dólares por alguns anos caiu para valores próximos de 30 dólares em um pequeno intervalo de tempo. Apesar dessa "crise" os cursos continuaram a ser criados por mais alguns anos. Abaixo coloco uma ideia, baseada na teoria econômica de oferta e demanda, para poder entender o que essa geração pode ter causado aos profissionais.


No esquema abaixo vamos verificar o que os novos cursos nos anos 2000 pode ter causado para os profissionais na atualidade. Vou usar um modelo teórico de economia de oferta e demanda (mais infos em link-1, link-2, link-3) para prever o que deve ter acontecido nestes anos para os valores de salários em relação a oferta de profissionais:


Modelo teórico de oferta e demanda para profissionais de geologia.

Segundo o esquema acima a variação de oferta e demanda de profissionais de geologia causou uma mudança no salário médio dos profissionais. No esquema 1 temos o equilíbrio inicial que foi quebrado pela melhora da economia aumentando a demanda de profissionais. As universidades verificando a alta demanda, aumento de salários e maior procura pelos cursos já existentes resolveram ofertar cursos de geologia onde antes não existiam. Este fato gerou um aumento de oferta de profissionais e assim estabilizou o crescimento de salários. Após a crise e queda dos valores dos commodities a demanda por profissionais diminuiu (e imagino que a oferta de profissionais deve ter aumentado por causa das demissões). A sequência ideal para o esquema 4 seria diminuir a demanda, mas fechar cursos superiores é algo muito difícil (se não impossível) Atualmente não saberia dizer se a procura pelos cursos tem se mantido ou diminuído.


De qualquer forma esse artigo não é para desencorajar ninguém, mesmo  porque sempre haverá necessidade de geólogos e o curso é muito especializado, impedindo que a grande maioria dos profissionais possa nos substituir. E no último ano tivemos uma melhora considerável do preço do barril do petróleo, a economia da sinais de melhora e tivemos diversos leilões da ANP que deverá demandar novos profissionais num futuro próximo.

Contudo temos que entender o que aconteceu para evitar que se repita novamente, não podemos ter uma reação a uma ação sem antes pensar quais as consequências para o futuro.




Quem tiver interesse em baixar os arquivos em excel com os dados, os arquivos da programação do mapa e dos gráficos pode baixar tudo neste link: Clique Aqui!




Criado e editado pelo YP: Guilherme Arruda Sowek




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